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Lourdes Macena

Doutora em Artes pela UFMG com estudos na linha de pesquisa artes cênicas – teorias e práticas e Ensino em Arte, possui Mestrado Profissional em Turismo com dissertação sobre festas populares (2002) e graduação em Licenciatura em Música pela Universidade Estadual do Ceará (1981). É professora efetiva do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará – campus Fortaleza, onde atua como coordenadora do Mestrado Profissional em Artes, é professora de danças tradicionais, coordena o grupo de pesquisa em Cultura Folclórica Aplicada e dirige o Miraira – LPCT – Laboratório de Práticas Culturais Tradicionais. Tem experiência na área de Ensino em Artes, com ênfase em práticas docentes em danças dramáticas, Folclore/cultura popular/patrimônio imaterial, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura tradicional popular cearense, arte-educação, arte nordestina, folclore cearense, teatro popular tradicional e turismo cultural. Foi presidente da Comissão Nacional de Folclore (2008-2012), presidente da Comissão Cearense de Folclore (2004 – 2008), coordenadora do Fórum Cearense de Culturas Tradicionais e Populares e representante das Tradições Populares no Conselho de Cultura do Estado do Ceará. Representou a FAEB – Federação dos Arte Educadores do Brasil no Estado do Ceará gestão 2014-2016. 

Apresentação Poética
Lourdes Macena em Imagens
Citações, Artigos, Entrevistas e Falas
Portfolio
Premiações
Reconhecimentos e Outras Premiações

Apresentação Poética

Sou conhecida entre os amigos e familiares por Lourdinha, Lulu, Lora e Luluda.

Meu sobrenome preferido sempre foi Macena Filha, pois quando nasci tive o mesmo nome de minha mãe e esse sobrenome serviu para designar que eu era/sou a outra Lourdes.

De início pensou-se em destacar aqui, meu Doutorado em Artes com linha de pesquisa em Artes cênicas cursado na UFMG, meu Mestrado em Turismo com pesquisa em Festas Populares e meu curso de musicologia no Conservatório de Música do Rio de Janeiro e também minha Licenciatura em Música pela UECE.

No entanto, enfatizo que minha verdadeira e maior universidade, a que hoje garantiu que eu chegasse até onde me encontro, adveio de minha formação/educação não formal e é esta que destaco abaixo.

Nasci numa cidadezinha chamada Barreiras, na época distrito de Redenção. Aos seis anos de idade vim para Fortaleza com meus pais para estudar retornando sempre nas férias.

Em Barreiras estão minhas relações com as brincadeiras para queimar o Judas, o Cassimiro Coco, as histórias de assombração, a burra de padre (mula-sem-cabeça), o papa figo e vários outros mitos. No sertão a chegada do bonequeiro sempre foi motivo de grande festa. O Boneco foi e é a voz poderosa dos pequenos. Ele Benedito ou Cassimiro pela imaginação poética faz a vingança do povo pobre contra o coronel, o delegado, os poderosos. Ele, o Cassimiro Coco, foi a primeira relação de Teatro que vivi. Os costumes ligados ao cultivo da mandioca, a cultura da carnaúba e do caju estão enraizados nesta pequenina mulher pois foram culturas de subsistência no seio familiar e no lugar da cidadezinha onde nasci.

No entanto toda a minha relação com a Dança, a música primeira, outras brincadeiras, os folguedos provém, de minha relação com um outro lugar que na década de 70 do século XX, chamava-se Congo e era distrito de Limoeiro do Norte. Meus avós, maternos e paternos e demais familiares nasceram, se criaram, casaram, viveram no Congo onde hoje existe apenas um projeto de irrigação. Assim, me reconheço como nascida em Barreiras, porém filha também do Vale do Jaguaribe, como sempre digo: “eu sou do Vale”.

Lá no Congo convivi com cata-ventos, tanques (espécie de piscina popular), esconde-esconde no Riacho seco, e muita, muita noção de sustentabilidade, ética, honra e respeito à terra, aos mais velhos, a vida.

A noite no Congo era o melhor momento, quando todos os trabalhadores se sentavam no alpendre para prosear e as crianças, sentavam próximas a rede da Vovó Lídia ou Vovó Maria para ouvir histórias. A luz do farol, da lamparina deixava a noite encantadora e pavorosa. Era aquele pequeno espaço iluminado e o negrume imenso além do alpendre. Em noites de lua, os carnaubais e pés

de cajarana e as estrelas ficava tudo visível e era muito lindo, além do mais, a luz do luar era muito bom para ir e vir dos forrós pelas estradas.

Meu pai, meus tios, meus parentes são músicos natos. De minha mãe vem a relação com o canto gutural, afinado, das cantadeiras que embelezam a lavagem de roupa, o plantio, as canções de ninar e o cortejo do santo promesseiro. Minha mãe, D. Lourdes, é minha base de mulher firme, que cursou apenas três anos de escola, grande mulher sem preconceito, bondosa, solidária, mãe de muitos filhos do coração como também o sou hoje.

A sanfona, a viola, o zabumba, o pandeiro, o triângulo, o repente, a cantiga, sempre estiveram presentes em toda a minha vida. Meus familiares adoram fazer festa, de dançar e de cantar muitooooo! Apesar de ser filha de sanfoneiro e de muito cedo ter tirado de ouvido algumas canções do Luiz Gonzaga no acordeom meu pai nunca me incentivou a tocar. Mesmo assim, aprendi a tocar violão, flauta doce e me formei em música pela UECE. Antônio Macena, meu pai, sempre dizia, “sanfona é festa e folia, mas a música não serve para sustentar ninguém”, porém se emocionou, se orgulhou quando passei no vestibular e com minha formatura. Fiz música para me dedicar às artes cênicas e em especial aos estudos de Cultura Popular, pois durante muito tempo nesta terra alencarina, em Artes era a única formação que poderíamos fazer.

Não existia curso de dança em Barreiras, tampouco no Congo ou Limoeiro. A dinâmica da vida familiar e comunitária foi a universidade impar da dança primeira, antes desta mulher abraçar como razão de seus estudos na academia as artes e em especial as artes cênicas.

Minha dança provém de minhas relações nestes lugares em especial, pois nas brincadeiras de Boi, de Maneiro pau, dos Reisados está a alegria e criação espontânea que meu corpo entende. Minha dança provém destes e muitos sertões do Ceará imenso.

Brota do chão esturricado sob a luz intensa do sol forte nas tardes sertanejas do Vale do Jaguaribe.

Minha gestualidade vem das palmas dos carnaubais, do movimento das águas do Rio Banabuiú e das muitas ondas do mar de Iracema desta Fortaleza que me abraçou.

Meus giros, contra giros vem dos bilros das almofadas da minha avó, para fazer a renda de todo o dia.

Nesse meu pequeno corpo delgado e fino reside a força dos bate pé da brincadeira de coco, o equilíbrio do Proeiro na Jangada que segue seu rumo seguindo a estrela guia e a determinação da ação vaqueira de embrenhar-se na caatinga em busca da rês perdida.

Esse corpo responde sempre em movimento e afeto sob o som da sanfona, do zabumba, do pife, da viola sertaneja e da rabeca ancestral.

Toda a cena que crio para o palco ou para a praça busca revelar o povo mestiço, cafuzo, caboclo miúdo, gigante e forte que renasce a cada dia sob o escudo de suas brincadeiras e sua fé, pois sou parte dele. Esta senhoras e senhores sou eu, Lourdes Macena!

Lourdes Macena em Imagens

Galeria de Fotos

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Citações, Artigos, Entrevistas e Falas

Vídeo

Vídeo entrevista com a professora Lourdes Macena sobre a 1ª edição do Mestrado Profissional

Vídeo entrevista com a professora Lourdes Macena no VI festival Internacional de Folclore do Ceará, em Pacoti.

Lourdes Macena fala da Folkcomunicação e da Cultura Popular na Contemporaneidade para a Tv UFPB.

Lourdes Macena em entrevista à Tv Jaguar sobre o 11º Encontro Mestres do Mundo em Limoeiro

Portfolio

Artes Cênicas

1.

SOUZA, M. Lourdes Macena. Fuertes. 2017. Coreográfica.

2.

MACENA FILHA, M. L.. Amazônicas. 2016. Coreográfica.

3.

SOUZA, M. Lourdes Macena. O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. 2016. Direção Teatral.

4.

MACENA FILHA, M. L.; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Guerreiro Santa Folia Festeira. 2015. Direção cênica

5.

MACENA FILHA, M. L.. Mestiça. 2015. Coreográfica.

6.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, R. N. . Plural. 2015. Coreográfica.

7.

MACENA FILHA, M. L.; CORDEIRO, R. N. . Guerreiros Santa Folia Festeira. 2015. Diversas.

8.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Santa folia nas pedras de Quixadá. 2014. Diversas.

9.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Guerreiros no calor de Cedro. 2014. Diversas.

10.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Santa folia na 5a com Dança. 2014. Coreográfica.

11.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Fé e festa. 2014. Coreográfica.

12.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Guerreiros para a Juventude. 2014. Diversas.

13.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . O nascimento do filho do carpinteiro. 2014. Diversas.

14.

MACENA FILHA, M. L.; COSTA, Marcelo F. . Os Piratas. 2014. Teatral.

15.

SOUZA, M. Lourdes Macena; LOPES, marcos ; MOREIRA, raimundo ; Ferreira Junior ; CUNHA, M. C. ; Ângela Moura . Anduba Ayê. 2013. Coreográfica.

16.

SOUZA, M. Lourdes Macena. NORDESTINOS GUERREIROS. 2012. Diversas.

17.

SOUZA, M. Lourdes Macena. FOLIAS CEARENSES. 2012. Coreográfica.

18.

SOUZA, M. Lourdes Macena. NORTE E NORDESTE NA LUTA PELA FLORESTA. 2012. Coreográfica.

19.

SOUZA, M. Lourdes Macena. Guerreiros (fragmentos). 2012. Diversas.

20.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, R. N. . Guerreiros Santa folia festeira. 2012. Diversas.

21.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, R. N. . Suite cearense. 2012. Coreográfica.

22.

SOUZA, M. Lourdes Macena; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Entre bois e moçambiqueiros. 2012. Coreográfica.

23.

SOUZA, M. Lourdes Macena. Nordestinos sim. 2012. Coreográfica.

24.

MACENA FILHA, M. L.. O nascimento do filho do carpinteiro. 2010. Teatral.

25.

MACENA FILHA, M. L.; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Asas para voar. 2009. Coreográfica.

26.

MACENA FILHA, M. L.; CORDEIRO, Raimundo Nonato . Quilombos. 2008. Coreográfica.

27.

MACENA FILHA, M. L.. Fandango. 2005. Coreográfica.

28.

MACENA FILHA, M. L.. Bucho chei de cearês. 2002. Coreográfica.

29.

MACENA FILHA, M. L.. Folia. 2001. Coreográfica.

30.

MACENA FILHA, M. L.. Cearensidade. 2000. Coreográfica.

31.

 MACENA FILHA, M. L.. Mira Brasil. 1999. Coreográfica.

32.

MACENA FILHA, M. L.. Nordestinagem. 1999. Coreográfica.

33.

MACENA FILHA, M. L.. Pedaços de Mim. 1997. Coreográfica.

34.

MACENA FILHA, M. L.. Dançar. 1996. Coreográfica.

35.

MACENA FILHA, M. L.. Era uma certa vez. 1995. Coreográfica.

36.

MACENA FILHA, M. L.. Ceará, minha terra. 1993. Coreográfica.

37.

MACENA FILHA, M. L.. Ceará, terra da luz. 1991. Coreográfica.

38.

MACENA FILHA, M. L.. Faça Sol, Faça Chuva. Sempre Ceará. 1986. Coreográfica.

Música

1.

MACENA FILHA, M. L.; Simone Souza ; Ângela Moura ; Ferreira Junior ; Circe Macena . O que está em mim. 2011. Composição (estréia).

2.

MACENA FILHA, M. L.. Ispinho e fulô. 1999. Apresentação de Obra (para compositores).

Artes Visuais

1.

SOUZA, M. Lourdes Macena; PAIVA, RICARDO. ANDANÇAS, ENCANTOS E AFETIVIDADE – MIRAIRA 30 ANOS. 2012. Diversas.

Outras Produções Artísticas/Culturais

1.

MACENA FILHA, M. L.; CORDEIRO, Raimundo Nonato ; MORAIS, Carlos Augusto Crisóstomo de . Ceará – força, fé e festa. 2007.

2.

MACENA FILHA, M. L.. Irmãos, fuertes hermanos. 2006.

3.

MACENA FILHA, M. L.. Ana Terra. 2005 (Orientação de pesquisa para espetáculo teatral).

4.

MACENA FILHA, M. L.. Festival Vida e Arte. 2005 (Curadora do núcleo Arte Popular).

Premiações

TROFÉU CARLOS CÂMARA

Prêmio concedido à MARIA DE LOURDES MACENA DE SOUZA por serviços na área de artes cênicas em 1998.

IX PREMIO SATED CEARÁ

3º PRÊMIO CEARÁ ENCENA – 19 de maio de 2017 no Teatro José de Alencar. Concedeu ao Espetáculo de conclusão da 21º. Turma da Licenciatura em Teatro do IFCE – campus Fortaleza o prêmio de Melhor Espetáculo Formação - O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, sob coordenação artístico-pedagógica de Lourdes Macena.

MEDALHA BRASILEIRA FOLCLORISTA EMÉRITO

Foi concedida a MARIA DE LOURDES MACENA DE SOUZA pela COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE, instituição técnica nacional na área de Folclore reconhecida pela UNESCO, de acordo com resolução da Diretoria nº. 01/2017. A Medalha foi concedida em reconhecimento aos notáveis e relevantes serviços prestados à preservação, promoção, pesquisa e defesa do Folclore e das manifestações culturais populares tradicionais do Brasil. A medalha foi entregue durante o VII Seminário Nacional de ações integradas em Folclore no dia 26 de agosto de 2017 no Auditório do Centro Dragão do mar de Arte e Cultura em Fortaleza no Ceará.

IX PREMIO SATED CEARÁ

Prêmio do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Ceará (Sated-CE). A solenidade de premiação da IX edição do Prêmio Sated Ceará 2017 foi realizada na noite do domingo (13) no Theatro José de Alencar e contou com a presença de representantes da cena cultural cearense, como Fausto Nilo, Ana Miranda e Rosemberg Cariry, dentre outros. O prêmio é uma iniciativa do Sindicado dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado. Foi um reconhecimento pelas ações com Danças tradicionais populares durante 35 anos coordenando o processo de criação do Na oportunidade o Grupo Miraira do IFCE campus Fortaleza se apresentou no evento à convite do SATED.

TROFÉU DE RECONHECIMENTO E GRATIDÃO ENCONTRO MESTRES DO MUNDO

Concedido a MARIA DE LOURDES MACENA DE SOUZA pela SECULT/CE, entregue pelo secretário da Cultura Fabiano Piúba, no dia 02 de dezembro de 2017, na cidade de Limoeiro do Norte, durante o XI Encontro Mestres do Mundo. O Troféu foi um reconhecimento pelas ações desenvolvidas de apoio, estudos, pesquisas para promoção e reconhecimento dos Tesouros Vivos do Ceará junto a SECULT/CE por meio de suas ações junto ao Laboratório de práticas Culturais Tradicionais do IFCE campus Fortaleza em conjunto com outros parceiros.

Reconhecimentos e Outras Premiações

2014

Reconhecimento pela inestimável contribuição à sociedade cearense, ENCENA PRODUÇÕES FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE.

2012

SÓCIO EMÉRITO, ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO CEARÁ – ALACE.

2012

Reconhecimento pelas ações afirmativas com grupos populares, Grupo de Tradições Nordestinas.

2012

Homenagem de gratidão e reconhecimento, III Mostra IFCE de Teatro.

2006

1o. lugar categoria Pesquisa e pós-graduação, área Artes, comunicação Oral no Vi Encontro de Pesquisa e Pós-graduação do CEFET/CE, Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará.

2005

Incentivo às Artes no Ceará – II Edital 2004/2005 – área de dança categoria montagem., Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.

2004

Menção de Honra, Theatro José de Alencar.

2004

1o Lugar melhor trabalho em Artes com o trabalho Quadrilha junina- uma reflexão sobre os aspectos tradicionais populares no momento atual, IV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação – CEFET/CE.

2004

2o Lugar melhor trabalho de orientação em iniciação científica com o trabalho Mateus o Riso espontâneo na ação cênica, IV Encontro de Iniciação Científica e Tecnológica CEFET/CE.

2002

Prêmio Ceará Quadrilha, União Brasileira de Quadrilhas e Festejos Juninos.

1991

Menção honrosa serviços prestados, Instituto Educacional O Canarinho.